sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Bate-bola com a Gabriela Ribeiro


O bate-bola de hoje é com a Gabriela Ribeiro: repórter de tv, colunista de esportes e apresentadora de rádio. Trabalha na RICTV Record, Jovem Pan Curitiba e no blog Entrando no Jogo. Não estou cometendo nenhum exagero ao dizer que a Gabriela será, muito em breve, a revelação do jornalismo esportivo. Leiam a primeira parte desse bate-bola super agradável. 


- Como e quando surgiu essa paixão por tantos esportes?

Desde pequena, sempre estive envolvida no meio esportivo. Meu pai era do interior e sempre gostou muito de futebol. Torcia para um time da capital (que depois viria a se tornar o meu também) e viajava para ver jogos da equipe. Minha primeira lembrança com relação à torcida está ligada ao meu falecido avô. No aniversário de 4 anos, ele me deu um uniforme completo (com direito a meião) do Palmeiras. Quando eu tinha 6 anos, comecei a jogar tênis. Uma lembrança forte que tenho é das Olimpíadas de Sydney, que acompanhei com vigor no auge dos meus 8 anos. No tênis, competi até os 13 e depois decidi seguir outros rumos. Nesse meio tempo, descobri minha paixão pelo futebol nas arquibancadas de Curitiba. Meu pai me levou ao estádio a primeira vez com 12 anos e eu saí do meu primeiro jogo acreditando que o goleiro da minha equipe era, de fato, o melhor do Brasil. Depois disso, nunca mais parei de acompanhar todas as modalidades possíveis.

- O jornalismo é um sonho de infância ou a ideia foi sendo maturada aos poucos?

Dos 9 aos 13 anos, participei do extinto projeto "Repórter-Mirim", promovido pelo maior jornal aqui do Paraná, a Gazeta do Povo. Desde aquela época, comecei a cogitar a possibilidade. No ensino médio, não sabia se seguiria mesmo o jornalismo, mas na hora de fazer o vestibular, não tive dúvidas.

- Com obras atrasadas, a Arena da Baixada pode ser "cortada" do Mundial. Quais as principais razões para o atraso nas obras? Indo além, dentro da esfera esportiva e social, quais os impactos que Curitiba pode vir a sofrer caso a FIFA opte pela negativa ao estádio?

As obras na Arena passaram por diversos percalços que os outros estádios não enfrentaram. Por ser gerida pela iniciativa privada, a liberação de recursos foi mais complexa que o normal. BNDES, potencial construtivo, acordos... Esses termos foram constantes na imprensa paranaense. Alguns nem sabem, mas teve até uma CPI para investigar supostas irregularidades nas licitações da obra. Ainda houve greve de funcionários, para completar o rolo todo. Para Curitiba, a exclusão da Copa seria lamentável. A Secretaria Municipal de Turismo têm feito um trabalho incrível para se preparar para receber os estrangeiros, mas vai além disso. Seria um prejuízo, de certa forma, moral e econômico, porque afetaria a geração de muitos empregos e deixaria uma péssima imagem de organização para o mundo todo. Ainda mais para uma cidade que ostenta a alcunha de "primeiro mundo" no Brasil...

- As mulheres conquistaram seu espaço no jornalismo esportivo. No entanto, algumas barreiras ainda não foram totalmente quebradas. Para a total inserção das mesmas, quais obstáculos ainda impedem o avanço de vocês?

 É claro que existe o preconceito, mas acho que falta o olhar mais profissional sob o trabalho da mulher. Aliás, as próprias mulheres precisam acreditar no trabalho delas como profissionais e não "baixar a guarda" quando não sabem algo sobre esporte. Por exemplo: tem mulher que trabalha no meio esportivo e ainda se gaba por "saber o que é impedimento" e mais duas ou três regras de um esporte aleatório. Se você é uma profissional, não faz mais do que a sua obrigação em saber isso e muito mais sobre qualquer esporte. Acho que é preciso mudar a mente em relação ao trabalho da mulher, não usar o corpo para se prevalecer num meio amplamente masculino e buscar boas referências.

- Como praticante (ex-jogadora) e telespectadora do tênis, você possui embasamento para relatar sobre o esporte. Analisando friamente, qual jogador (e jogadora) a Gabi citaria como próxima revelação do esporte? Discorra sobre a(s) qualidade(s) desse(s) atleta(s). 

Os analistas de tênis apostam muito no búlgaro Grigor Dimitrov. Embora ele esteja numa crescente física, ainda demonstra inconstância nos resultados e imaturidade em atitudes dentro de quadra. Jerzy Janowicz é outro nome forte para despontar no topo nos próximos anos. No feminino, Eugenie Bouchard chamou a atenção no Aberto da Austrália, mas Sloane Stephens tem tudo para chegar ao topo antes da canadense. Particularmente, acredito que, em breve, o tênis vai passar por um período de mudanças. Foram muitos anos de domínio de Roger Federer e Rafael Nadal, junto com Novak Djokovic na sequência, e agora parece que o esporte está abrindo caminho para outros atletas.

- Recentemente, você fez a cobertura dos X Games. Relate a emoção de cobrir um evento dessa magnitude.

A cobertura do X Games foi uma surpresa! Fui convidada pela RICTV (afiliada da Record no Paraná e em Santa Catarina) para cobrir o evento e nunca imaginei que fosse participar de um trabalho tão grande ainda na faculdade. Profissionalmente, foi um dos meus melhores momentos. Entrevistei grandes nomes dos esportes radicais, como Bob Burnquist e Ryan Sheckler, além de curtir quatro dias de intensa competição e muito trabalho. Guardo a credencial com muito carinho na minha coleção!


Gabriela ao lado de Bob Burnquist
- Repórter, colunista de esportes e apresentadora de rádio. Quais as principais metas de carreira da Gabriela Ribeiro?

Tenho muita vontade de trabalhar com o esporte em si, com a parte de gestão esportiva. Sempre me interessei pela área e não negaria trabalhar em alguma agremiação ou liga de esportes, na parte administrativa ou de planejamento. Se for para continuar no jornalismo, gostaria de viver umas aventuras como correspondente internacional. Não custa sonhar, né? Mas minha primeira meta é terminar a faculdade agora em 2014 para depois pensar em tudo isso! Só Deus sabe o que o futuro reserva!

- O "Entrando no jogo" aborda assuntos de vários esportes e engendra vários debates que circundam nosso cotidiano. Fale mais sobre o blog, as metas e o direcionamento dele para a sociedade. 

Criei o blog em 2010, antes de entrar na faculdade, e só tive oportunidades por causa dele. No mesmo mês que criei o blog, fui convidada para ser colunista do jornal de maior circulação aqui no Paraná. Algum tempo depois, no meu primeiro ano de Jornalismo, fui chamada para trabalhar na TV. Em seguida, no rádio. E as coisas foram acontecendo. Por isso, sempre digo: devo tudo ao meu filhote, o Entrando no Jogo. A ideia dele é mostrar que qualquer um pode entrar no jogo, seja mulher, seja homem, criança, jovem ou idoso. Não é apenas uma réplica de notícias esportivas, mas um compilado de temas que podem ser relevantes para o contexto esportivo. O blog deve mostrar uma opinião além do convencional e incentivar o pensamento crítico nos leitores.

Quer saber mais sobre a Gabriela e o blog? Acessem http://entrandonojogo.com.br/

- Ano de Copa...pitacos são sempre bem vindos. Quais seleções você colocaria como favoritas ao título? Por quê?

Brasil, por todo o contexto "obrigatório", a Alemanha, pela maturidade que atingiu desde a última Copa e a Argentina, porque los hermanos vêm com um time forte para mostrar serviço em terras verde-amarelas. 

- Gabi, não escondo que sou fã do seu trabalho e é uma honra poder te entrevistar. Deixe um recado, citando as dificuldades e as boas qualidades, para a meninas que almejam seguir carreira no jornalismo esportivo. 

Obrigada pelo convite e conte sempre com minha audiência também! Seja mulher ou homem que quer seguir carreira no jornalismo esportivo, eu sempre digo: é preciso sonhar alto. Tem gente que chega lá. Por que não podemos ser nós? Beijão a todos!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Bate-bola com o Julian Sakaniwa



O bate-bola de hoje é com o Julian. Fanático torcedor do Barcelona (ESP) e estudioso sobre a história do clube, o entrevistado não escondeu sua admiração por Xavi Hernández, relatou "causos" do Franquismo e apontou favoritos para o Mundial de 2014.

P: Quando e como surgiu essa paixão pelo Barcelona?

R: Primeiramente eu gostaria de agradecer esta oportunidade de participar do ‘Bate-Bola’. É uma honra!
Então, os meus primeiros sentimentos pelo Barça começaram meses antes da Copa do Mundo da França, em 1998, quando o Ronaldo era a promessa da Seleção Brasileira – como o Neymar é hoje –,  e só se falava nele. Eu ganhei uma tabela dos jogos, aquelas de papel, e cada país tinha a sua bandeirinha. Com meus 7 anos, me apaixonei pelas bandeiras, pedi para o meu pai comprar um pacote de papel sulfite e comecei a desenhar todas as que eu mais gostava – sempre fui apaixonado pela bandeira da Dinamarca, diga-se de passagem – até que me dei conta de que estava gostando muito daquilo, e por curiosidade eu assisti a alguns jogos meio que sem entender nada, e foi aí que comecei a gostar de futebol.

Na mesma época, ganhei um boneco do Ronaldo de uns 20 centímetros de altura, foi o maior que eu já tinha ganhado até então, e foi assim que comecei a admirar o "fenômeno", pois eu brincava com ele o dia inteiro. Na época, com meu Super Nintendo, pedi um jogo de futebol para o meu pai, e ele me deu o ‘Ronaldinho Campeonato Brasileiro 97’. Quando cacei o time em que ele jogava, apareceu o Barcelona. De tanto jogar com o time, acabei “conhecendo” outros jogadores como Guardiola, Figo, Vitor Baía, Luis Enrique, Abelardo, entre outros, mas o detalhe que me fez apegar ao Barça, além do Ronaldo, foi o uniforme - um azul com borrão vermelho. Me identifiquei com as cores e já comecei a gostar do clube sem ao menos assistir uma única partida. Esse “namoro” se manteve frio até a temporada 2004-05. Antes disso, acompanhei apenas os resultados, mas a partir dessa temporada que começou a ser transmitida na Bandeirantes, e com o Ronaldinho Gaúcho jogando muito, comecei a assistir o maior número de jogos possíveis, e até hoje acompanho sempre que posso ou, quando não posso, tento dar um jeito. Mas a única certeza é a de que de 1998 para cá a minha paixão pelo Barça só aumentou.

P: O número de torcedores dos clubes europeus aumentou assustadoramente no Brasil. Qual o principal motivo para este fato?

R: Acredito que o motivo que causou isso foi a facilidade do acesso ao futebol europeu. Hoje qualquer pessoa pode assistir uma partida de clubes europeus sem muito custo, e isso contribuiu muito para que elas conhecessem um futebol diferente e mais atraente do que vemos por aqui. Outro fator: já não mais existe aquela 'discriminação' que perdeu força de alguns anos para cá - uma tradição estúpida que "proibia" alguém de torcer para um clube europeu (ou até de outro Estado). Por causa disso, tive que esconder o meu amor pelo Barça por longos anos, e fingir amor a outros clubes daqui de São Paulo para não sofrer essa 'discriminação'. Pelo menos por aqui onde eu vivi toda a minha vida, essa estupidez causou fortes danos morais. O Brasil vivia em uma Ditadura do Futebol. Por conta disso, até os meus 14 anos tentei torcer por Palmeiras, Corinthians ou São Paulo, mas nenhum deles conseguiu despertar um sentimento mais sério em mim, muito pelo contrário, por ter trocado de time por duas vezes, também me intitulavam como um torcedor que "virava a casaca" - outra coisa que era totalmente inadmissível na Ditadura do Futebol. Mas isso tudo de "virar a casaca" contribuiu muito para criar a coragem necessária e me permitiu declarar o amor ao clube que eu realmente admirava. O fato de eu ter trocado de time significa que eu sempre busquei ser feliz com o futebol.

Mas existia um lugar onde tal represália jamais adentrou: minha casa. Meu pai, palmeirense, odiava o Corinthians, mas nunca me forçou a ser palmeirense como ele, muito pelo contrário, sempre me incentivou a gostar de futebol e a torcer para quem eu quisesse. Sem dúvidas, ele (pai) foi o maior exemplo de que a felicidade está em nossas escolhas e, para que possamos amar em paz, necessitamos de liberdade para escolher o que nos agrada. Quem deixa os outros escolherem por si, não sabe o quanto é prazeroso ser livre ao optar por suas próprias escolhas.

P: O termo “modinha”... está na moda. Quais “armas” o Julian utiliza para não ser taxado através deste rótulo?

R: Ignorar. Eu sei o que sou e ninguém conseguirá me convencer a aceitar um rótulo que não bate com a minha personalidade. Mesmo assim, confesso não lembrar de alguém me chamar particularmente de “modinha”. Quando me chamam, é por pura generalização. Por exemplo: “Todos os culés brasileiros são modinhas”. Só assim mesmo.

P: O Franquismo, regime ditatorial ocorrido na Espanha, mascarou (teoricamente) várias conquistas do Real Madrid. Relate quais foram os maiores fatores prejudiciais ao Barcelona.

R: São vários. Mas os mais famosos e mais prejudiciais foram: a morte do presidente Suñol, os 11-1 (escândalo de Chamartín), e a contratação de Di Stéfano. Esse último, o divisor da história do Real Madrid.

P: Como historiador de tudo o que envolve o clube, em que grau de importância você colocaria Johan Cruyff e Pep Guardiola na história dos blaugranas? Aborde o principal legado dos dois.

R: Eu colocaria ambos como os principais nomes do sucesso atual do Barcelona. O Cruyff, como jogador, trouxe para o Barça aquela filosofia da “Laranja Mecânica”, e como treinador difundiu o sistema de jogo que deu muito certo. O sucesso foi tão grande que formou um “Dream Team”, conquistou a primeira Copa Europeia do clube e construiu um dos ciclos mais gloriosos do Barça em todos os quase 100 anos de história (na época). 

Cruyff treinou o Guardiola, outro gênio que bebeu daquela fonte, porém, com jogadores criados e educados naquele estilo de jogo implantado na década de 1990. Ou seja, Guardiola pegou um elenco perfeito para colocar em prática tudo o que aprendeu com Cruyff -  tão magistral que venceu absolutamente tudo o que disputou. Hoje o Barcelona ainda tenta manter a filosofia, tem jogadores qualificados, porém ainda não conseguiu um técnico substituto à altura de Pep Guardiola.


P: Por que existe tanto ódio entre torcedores/simpatizantes de Barça e Madrid nas redes sociais? Quando você passa a respeitar a opinião do “rival”?

R: Pelo o que eu notei, o maior motivo da rixa entre a maioria dos culés e madridistas é a rivalidade entre Messi e Cristiano Ronaldo. Poucos discutem sobre outros assuntos.

Eu passo a respeitar a opinião do rival – e até do próprio culé – quando ele deixa de usar os velhos e inúteis argumentos como “9 Champions” e “32 Ligas”; e no caso dos culés, o “Franquismo”. Uma opinião bem formada, com conceitos válidos, e contendo apenas fatos, não tem como ser ignorada ou desrespeitada.

P: Atual campeão da UCL, o Bayern de Munique parece não ter perdido a força. Os Bávaros ostentam de tamanho favoritismo para o bicampeonato ou você enxerga outras equipes na mesma prateleira?

R: Barcelona e Real Madrid sempre serão favoritos, independentemente de qualquer circunstância. No entanto, o Bayern está voando e tem muitas chances de voltar a vencer outra Champions League, ou pelo menos chegar em mais uma final, como vem fazendo nos últimos anos. Mas creio que as únicas equipes capazes de vencer os alemães – com muitíssimo esforço – são Barcelona e Real Madrid, por terem sido eliminadas pelos Bávaros nos últimos encontros. O gostinho de revanche é a motivação. Mas Juventus e o Arsenal também estão fortes. Apesar disso, os italianos foram parar na Liga Europa. Vamos ver a real força dos Bávaros nos jogos contra o Arsenal, pelas Oitavas de Final, que também encontra-se na mesma situação de Barcelona e Real Madrid, com o sangue nos olhos. Já o Atlético de Madrid também está muito bem, mas acho que ainda não aguentaria a pressão da equipe de Pep Guardiola.

P: Em poucos dias teremos Barcelona x M. City. Os comandados de Martino passam por uma oscilação. Já o time de Pellegrini está voando... jogando muito. Confronto equilibrado ou existe algum favorito? Taticamente falando, como anular os Citizens?

R: Acho que mesmo com a atual situação, que parece estar perdida, o Barça ainda é favorito. O Manchester City vem forte, mas ainda não convenceu em competições europeias. Lembra muito a seleção alemã nos últimos anos, que vem detonando todo mundo, mas decepciona em jogos decisivos. Mas como eu disse, os citizens vem jogando muito bem e podem estar escrevendo um lindo capítulo em sua história, e para que isso fique ainda mais inesquecível, eliminar o Barcelona nas Oitavas de Final da Champions (que esteve nas últimas 6 Semi Finais) seria incrível. É bom o Barça tomar cuidado.

Já na parte tática, é difícil dizer uma outra forma de anular uma equipe, já que o Barça do Tata dificilmente muda alguma coisa em relação ao adversário, pois desde a "Era" Guardiola o adversário é quem precisa mudar para anular os blaugranas. O que o time não pode fazer de jeito nenhum é repetir as duas péssimas atuações que fez contra os comandados de Jupp Heynckes, na última temporada. É bom tomar cuidado com o Pellegrini porque ele já conhece o Barça e, quando esteve no Real Madrid, deu mais trabalho que o Mourinho.

P: Já que 2014 é ano de Copa do Mundo, quais seleções você colocaria como favoritas ao título? Por quê?

R: Argentina, Alemanha e Brasil. Sem ordem.

A Argentina tem uma grande seleção, entrosada e que fez uma ótima eliminatória. A Alemanha também vem forte - podemos enxergá-la através da imagem e semelhança com o Bayern de Munique. Já o Brasil, por ter uma boa seleção, um ótimo técnico e um coordenador vencedor – ambos campeões mundiais –, e por jogar em casa (coisa que contou muito na Copa das Confederações e que com certeza será a 12ª arma da canarinho na Copa do Mundo), também é favorito.

A Espanha é a atual campeã, por isso eu já descarto mesmo sabendo que é uma das seleções mais fortes do mundo. Ganhar duas Copas seguidas não é pra qualquer um. O Brasil foi um dos que conseguiu isso e, pelo menos até o Catar, não existirá ninguém capaz de fazer igual.

P: Defina politicamente, Sandro Rosell.

R: Corrupto! Isso serve para definir politicamente a maioria dos políticos.

P: Tantos craques/lendas que passaram pelo Barça. No entanto, não há como negar que sempre teremos “o preferido”. Quem é o seu ídolo? Discorra sobre tudo o que ele representa para você, torcedor Culé.

R: Poucos sabem, mas o meu jogador preferido é o Xavi. Ele é o jogador que mais se parece comigo (não fisicamente) e o que eu mais tento me espelhar.


Ele usa a inteligência dentro e fora de campo, tenta ser o mais discreto possível, é leal, e uma coisa que ele tem que eu adoraria ter é a “classe” que dispõe ao fazer qualquer coisa. É uma pessoa séria... e até acredito que ele ainda treinará o Barça no futuro, mantendo a filosofia que começou com Cruyff e foi aperfeiçoada por Pep.

P: Monte os seus 11 titulares ideais, com esquema. OBS: não vale incluir os que ainda estão em atividade. Algo precisa ser mais complicado

R: Aí complicou mesmo. (rs)

Não é fácil colocar um jogador que eu nunca vi jogar. Mas dá para montar apenas com jogadores que eu já vi atuar. Lá vai um 4-3-3 bem louco.

Taffarel, Cafu, Maldini, Thuram, Roberto Carlos, Patrick Vieira, Beckham, Zidane, Rivaldo, Romário e Ronaldo.


Se fosse no Winning Eleven eu colocaria o Roberto Carlos no ataque, como era de costume. Corre e chuta 19, é craque!

P: Defina, em poucas palavras, a essência/importância de ser um torcedor blaugrana.

R: Tot el món és um clam. Som la gent blaugrana i tant se val d’on venim, si del sud o del nord, ara estem d’acord. UMA BANDERA ENS AGERMANA!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Bate-bola com a Thaís Picarte

Boa noite, pessoal!

O bate-bola de hoje é com a Thaís Picarte, goleira da Seleção Feminina de Futebol. 

Thaís atua pelo Centro Olímpico (SP), tem 31 anos e foi bastante prestativa. Humildade e simpatia em pessoa.




- Como foi o início da sua carreira? Quem foi o seu grande incentivador?

Foi em Santo André, minha cidade natal. Desde pequena eu sempre gostei de jogar futebol. Meu pai me incentivou desde cedo e, dessa forma, fui tomando gosto pelo esporte. 

"Foi meu pai quem ensinou eu e minhas três irmãs a amar o futebol. Somos sócias de um clube em Santo André, onde havia um torneio de futebol feminino. Lá iniciei minha carreira como amadora. Em janeiro de 1997 meu pai faleceu e, infelizmente, não chegou a me ver em um grande clube. Em março daquele ano, uma das dirigentes me levou para fazer um teste no São Paulo, onde comecei minha carreira no Aspirantes. Minha mãe não queria eu jogando, mas nunca me privou do meu sonho, sempre me apoiando. Ela é minha maior fã"  - disse em entrevista ao LANCE! , em 2009

- Você é formada em Educação Física. Quais caminhos você deseja seguir após encerrar a carreira?

Ainda não tenho em mente algo em específico. Mas assim que parar de jogar, pretendo atuar em áreas menos difundidas, com o intuito de “mostrar” o futebol e dar a minha contribuição para outras pessoas que desejam jogar.

Ser treinadora é uma ideia remota em detrimento da nossa realidade. Quem sabe, treinadora de goleiras.

- Quem são os seus ídolos? (Goleiro ou goleira)

Zetti! Sempre fui fã da sua personalidade, do profissionalismo em campo e da conduta esportiva desse atleta. Era muito legal vê-lo jogar de calça, sua marca registrada – quando a maioria dos goleiros jogavam de short.



- Fala-se sempre em condições desfavoráveis ao futebol feminino. No seu entendimento, onde precisamos melhorar? Por que é tão difícil investir em “algo” que sempre nos deu retorno em campo?

Precisamos melhorar nossa mentalidade, calendário, atrair investidores e criar uma liga independente. No entanto, o maior problema é a falta de apoio. Não possuímos o retorno da mídia, jornais (veículos de informações) pouco falam/relatam sobre nós. Sendo assim, mesmo com os bons resultados, não conseguiremos ter o nosso espaço sem o apoio da mídia.

- Você já atuou na Espanha (Sporting Club de huelva) e Itália (Lazio Calcio Feminile). O futebol de lá, no modo tático e organizacional, é diferente do nosso? Quais as principais diferenças?

É tudo muito similar. No modo tático, não vejo tanta diferença. O grande diferencial encontra-se no aspecto físico e na organização dos campeonatos. Se no Brasil os times não possuem investimento do governo, na Europa a coisa é diferente. Calendário organizado, datas já conhecidas antes de começarmos a jogar, centro de treinamento de qualidade, apoio incondicional. Logo, na hora dos longos torneios, o aspecto físico fala mais alto. A Liga Alemã é um bom exemplo a ser seguido.

- A primeira convocação é inesquecível. Conte-nos como foi a sua.

Mesmo trabalhando duro, foi inesperada. Não imaginei que um dia realizaria esse sonho de criança. Foi um grande surpresa, em 2006, quando eu jogava pelo São Bernardo, ver o meu nome na lista das três goleiras convocadas para defender o meu país. 

- Presente no Mundial de 2011, deve ter sido bem difícil digerir aquele gol da Wambach, no final da prorrogação. Como lidar com esse “quase”, contra os Estados Unidos?

Mesmo vencendo (prorrogação), a tensão era enorme. Eu, lá do banco de reservas, percebi que as minhas companheiras estavam nervosas por causa da pressão que as estadunidenses fizeram no fim da partida. Torcemos para que o tempo pudesse passar mais rápido, mas não teve jeito. Elas (EUA) demonstraram muita frieza e tranquilidade, mesmo com o placar adverso. E isso foi levado para a decisão por pênaltis. Frustração!

- Quais seleções você apontaria como favoritas se o Mundial fosse em 2014?

Alemanha, Estados Unidos, Japão, Brasil e Suécia. As suecas jogam forte, duro, possuem uma liga extremamente organizada que, no fim das contas, faz toda a diferença no momento da preparação.

- Quais seleções evoluíram, de forma absurda, nos últimos anos? Existe algo estrutural para explicar tamanha evolução?

Japão e Canadá!

Vai de acordo com o campeonato interno que elas organizam. A liga é realmente forte, passaram a ter obediência tática, estudam cada vez mais suas adversárias e aprimoraram seus fundamentos dentro de campo. Na América do Norte o esporte feminino é valorizado, respeitado, tendo o apoio maciço das empresas. As canadenses fizeram muitos jogos internacionais, contra seleções de ponta, o que acarreta na franca evolução. Ajuda muito!

Na América do Sul isso não será encontrado. Meu time, o Centro Olímpico, é uma das exceções quando falamos em tranquilidade para trabalhar e boa estrutura para jogar. Quem mais evoluiu foi, sem dúvidas, o Chile...muito mais pela qualidade técnica das atletas.

- A Andréia vinha como titular há muito tempo. Em contrapartida, as chances para você começaram a aparecer. Quais as suas “vantagens” (mental, física ou técnica) para assumir a camisa 1?

Grande goleira a Andréia. O que foi modificado, com louvor, foi a rotatividade com as goleiras. Hoje, cada uma das três convocadas vai ter a sua chance para mostrar serviço. Não estou falando de alguns minutinhos, mas sim, de uma partida completa. Afinal, para chegar ao alto nível, é preciso jogar.

Meu diferencial encontra-se na altura (1,81 m) e as minhas saídas na bola aérea. Foi assim que consegui a titularidade no fim de 2013...através da sequência e das boas partidas que realizei.      

- Excluindo as brasileiras, qual a melhor jogadora do mundo? Por quê? 
OBS: *exceção feita para a Formiga, que é brasileira.

Não de hoje, a Formiga já poderia ser eleita a melhor do mundo. Mas por não jogar na linha de frente e nem fazer tantos gols, é pouco notada. Sem a sua regularidade, que tanto impressiona, as equipes não seriam as mesmas.



- Existe algum sonho ainda não realizado no meio futebolístico? Qual?

Sim! Jogar uma Olimpíada e ganhar uma medalha pelo Brasil. De preferência, em 2016, quando atuaremos em casa. Outro grande sonho é o de ganhar a luva de ouro no Mundial, em 2015.  

- Quais os seus planos para 2014?

Recebi algumas propostas para atuar fora do país. No entanto, prefiro ficar no Brasil por causa da preparação para o Mundial/convocações. Continuar no Centro Olímpico é a grande prioridade para 2014.

- Desde já, gostaria de agradecer sua prestatividade, Thaís. Algum conselho para as meninas que desejam seguir essa carreira?

Não deixem de estudar. É muito importante ter esse embasamento que possa nos ajudar até mesmo dentro de campo.


No mais...dedicação e perseverança. A vida de atleta não é fácil e, por muitas vezes, precisamos abdicar de momentos com a família, festas, a vida social em si. Não desistam!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bate-bola com a Geovana Cristina

O bate-bola de hoje é com a Geovana Cristina. Louca por futebol, fã do Özil, atleta amadora e torcedora do Flamengo.


Mais uma vez: o intuito desse bate-bola, bem como outros que fiz, é o de acabar com preconceitos e estereótipos no que concerne o espaço da mulher dentro do mundo esportivo. Espero que vocês gostem, curtam e, quem sabe, compartilhem a ideia com outras amigas. Indo além: com amigos que ainda insistem com essa baboseira de que lugar de mulher é na cozinha.

1) Apresente-se para a galera. Idade, posição em que atua, clube, grande sonho. 

Meu Nome é Geovana Cristina Dos Santos; 15 anos; Ala esquerda e atuo pelo Lins, time do Interior de SP. Acho que o Grande sonho de qualquer jogadora amadora é tornar-se Profissional...e o meu não é diferente

2 ) Como e quando você começou a jogar futebol?

Desde pequena, por volta dos meus 5 anos, já jogava com a crianças. No entanto, atuar em times, só de 2012 para cá. Fui assistir ao Campeonato Internacional sub-17 masculino, em minha cidade. Chegando lá, a "Néia"(amiga da família) disse ao treinador da equipe de Promissão (cidade) que duas meninas (eu e a minha prima) amavam jogar futebol e, naquele instante, estavam assistindo ao jogo. O professor Bruno pediu para que fôssemos treinar e, a partir dos treinos, entramos no time.

3) Ao optar pela tentativa da carreira profissional, você teve o apoio dos seus pais? 

Bem, nunca tive tanto apoio por parte dos meus pais. Eles sempre disseram que o futebol é algo passageiro e, em alguns anos, eu esqueceria tudo isso. Espero que dentro de alguns anos eu possa provar - aos dois - o quão errado eles estavam sobre mim.

4) Recentemente, você citou o nome do Mesut Ozil como grande inspiração. Quais as principais qualidades do alemão? 

Sim, o Özil é uma inspiração para mim. Assim como ele, sou canhota e jogo no meio de campo. Sem contar que ele atuou na equipe pela qual sou apaixonada: o Real Madrid. Fui me apaixonando pelo seu futebol...como não buscar inspiração em um cara que com apenas 25 anos já atuou no Schalke 04, Werder Bremen, Real Madrid e Arsenal? Ele é um monstro dentro de campo. Hoje, é o melhor jogador alemão em atividade.


5) Para quem sonha com a carreira profissional, como conciliar futebol de campo e futsal? Quais fundamentos pode-se levar dos gramados para as quadras?

Acima de tudo, precisamos ter foco, força de vontade e jamais desistir dos nossos objetivos. Acho que podemos analisar os fundamentos/doutrinas de várias maneiras: no campo, podemos ver o quanto somos velozes e aprender a  adaptar tal habilidade dentro de uma quadra. Já o futsal proporciona os dribles curtos e precisos, o que faz do futsal uma arte.



6) Muitas meninas são "atrevidas" e não possuem receio de jogar ao lado dos meninos. Qual a motivação da Geovana para estes momentos?

Os homens ainda são machistas quanto ao futebol feminino. No entanto, sempre joguei contra eles para provar que somos capazes e buscamos nosso espaço dentro do esporte. Minha motivação encontra-se em unir a "comunidade" e tornar tudo uma coisa só. Dessa maneira, provar que a mulher também sabe e pode jogar. Ao escutar elogios, penso que de certa maneira estou mudando o pensamento do meu País, abrindo a mente das pessoas e mostrando que a única diferença encontra-se apenas no "sexo".

7) Quais piadinhas mais lhe incomodam. Por quê?

Que mulher jogando futebol é sapatão ou que não possui uma família. Isso incomoda qualquer jogadora. O recado que deixo: homens que dizem isso não possuem argumentos. Logo, perdem o nosso respeito.

8) Qual a importância do futebol em sua vida? Quais lições podem ser levadas para fora dos campos?

O Futebol é a minha vida, meu tudo, minha essência. Tudo que eu sei/aprendi sobre a moral do ser humano, devo ao Futebol.  Este esporte faz com que tenhamos respeito ao próximo; ser um alguém melhor. O futebol transforma vidas.

(agachada: primeira da esquerda para a direita)

9) Em recente conversa, você citou a importância de estar sempre estudando. Caso não dê certo no futebol, qual carreira você deseja seguir?

Acho que o conhecimento nunca é demais, devemos estar sempre aprimorando nosso aprendizado. Caso minha carreira de jogadora não dê certo, desejo ser Médica. Se o futebol transforma vidas e salva pessoas, sendo médica, estarei fazendo isso de forma mais direta.

10) Muito obrigado pelo papo, Geovana. Quais conselhos você daria para as meninas que sentem-se intimidadas para falar sobre futebol?

O prazer foi meu, Raniery. Não precisamos sentir tal intimidação. Mulher que batalha no futebol, para mim, é rainha. Jogar e assistir futebol só aprimora nossos conhecimentos. Não sintam-se incomodadas para falar sobre o que mais gostamos: o futebol.