segunda-feira, 10 de junho de 2013

Bate-Bola com a Jaqueline Dubas

Boa tarde, leitores!

Hoje o papo é com a Jaqueline Dubas. Apaixonada por futebol, torcedora (fanática) do Coritiba (PR) e futura jornalista. 

 
Foto de Jaqueline ao lado do seu professor: O Pai

Mais uma vez: o intuito desse bate-bola, bem como outros que fiz, é o de acabar com preconceitos e estereótipos no que concerne o espaço da mulher dentro do mundo esportivo. Espero que vocês gostem, curtam e, quem sabe, compartilhem a ideia com outras amigas. Indo além: com amigos que ainda insistem com essa baboseira de que lugar de mulher é na cozinha.

O verde (cor) nas perguntas é uma singela homenagem da minha parte.



- Como surgiu essa paixão pelo futebol? 

Desde quando eu estava ainda no ventre de minha mãe. Meu pai, um apaixonado pelo esporte, tanto como jogador como torcedor, vivia nos campos, assistia programação esportiva todos os dias, e a minha mãe o acompanhava. Aliás, até hoje. Então, eu fui incentivada e me apaixonei pela modalidade e pelo Coritiba Foot Ball Club, Eu digo sempre: minha vida é o futebol.

- Quando você teve a certeza que queria ser jornalista? Quais as maiores razões para isso? 

Eu sempre disse que estudaria ESPORTES. Como eu gosto de falar dele, e não de praticar, acabei optando pelo jornalismo ao invés da Educação Física. Essa certeza eu tenho desde que comecei a escutar os jogos pelo rádio e soube que eu poderia fazer jornalismo para ser repórter. Busco meu sonho desde meus 13 anos. E olhe que eu queria ser narradora, rs. Imitar narração é comigo mesmo, mas ser repórter de rádio é o meu objetivo. Esse profissional é livre, corre o gramado todo. Hoje sou formanda em Letras e no próximo ano serei caloura em jornalismo. Tudo o que faço hoje é pensando no meu sonho de ser uma repórter esportiva.

- A paixão pelo Coritiba é latente para os que te conhecem. Você recorda como teve início esse amor pelo “Coxa”? 

Na barriga de minha mãe, rs. Minha família é coxa-branca e cresci ouvindo jogos, indo aos campos e escutando histórias do dia em que meu avô esteve na inauguração do Belfort Duart, hoje Couto Pereira. Minha avó contava: "seu avô iria aos jogos de paletó e gravata". E o clube é o nosso santo remédio. Se tiver Coritiba em campo, é hora de alegria, esquecemos o mundo e focamos no Verdão. 

 

Eu não escondo minha paixão pelo time e nunca farei isso mesmo escolhendo ser jornalista. Foi o meu clube quem me levou a pensar em tal carreira. Mas todos que me conhecem, sabem que profissionalismo não faltará.

- Quais os benefícios que a Copa pode proporcionar ao seu estado (Paraná)? Te agrada a ideia de realizar o torneio aí? 

Como apaixonada pelo futebol eu fico feliz pelo fato de Curitiba sediar a Copa. Mas não sei se estamos preparados para receber um evento desse porte. Os problemas são muitos: estádio que não é concluído, falta de organização, de união entre os clubes locais. Só veremos os benefícios no pós-copa. Por enquanto, só dor de cabeça. E mais: sabemos que nós, Paranaenses, não poderemos desfrutar desse futebol por ser um evento caro... para os bons de bolso.

- Qual o seu maior ídolo no futebol? Por quê? 

Meu “Professor” de futebol: meu pai. Ele joga e entende muito. Se tenho alguma dúvida de algo, é a ele quem recorro, pois é a minha fonte de inteligência futebolística. Agora, um ídolo dos gramados, nenhum em específico. Quando eu falo em ídolo, eu lembro dos jogadores dos quais me encantaram e me encantam. Eu sou apaixonada pelo futebol dos veteranos (meus 'véinhos') como Tcheco (aposentou-se ano passado, hoje trabalha no Coxa como auxiliar técnico), gosto de ver Harlei e Iarley (ex-dupla sertaneja do Goiás, hoje Harlei está no Goiás, mas o Iarley foi jogar no Paysandu, clube que fez história na libertadores). 

No Coxa, Pereira e Lincoln (Pereira, o bruto zagueiro, e Lincoln, o 'véinho inteligente). Claro que cito agora, o melhor camisa 10 de todos os tempos: ALEX DE SOUZA. Hoje eu agradeço a Deus pela oportunidade de ver o menino de ouro em campo. Eu tenho vários xodós, não ídolos. Idolatrar eu acho demais. Saindo do Brasil e passeando pela Europa, eu gosto de Rafinha (Bayern), Adriano (Barça), Puyol (zagueiro capitão), e o melhor jogador do mundo, Messi. Quando eu digo que tenho xodós, também lembro dos novos: Lewangol e Reus. Os jogadores que me encantam, eu passo a acompanhar mais de perto. De ídolo mesmo, meu pai. Os demais são xodós.

- Sabemos que ainda existem olhares negativos por parte da ala masculina (de alguns). Você sofre algum tipo de preconceito? Qual? E dentre eles, qual o que mais te incomoda a ponto de “comprar briga”? 

Alguns homens não aceitam muitas vezes o fato de uma mulher ter opinião própria quanto ao futebol, mas isso é fácil de driblar. Sempre tem um preconceituoso, mas aos poucos isso está acabando, e a mulher que fala e vive esse esporte, precisa estar preparada e enfrentar essa situação com calma.

Eu compro briga quando eu tenho uma opinião contrária. Aí é hora de persuadir o indivíduo até ele perceber que eu tenho minha própria opinião formada. Sempre tem aquele que tenta mostrar que você não entende da “coisa”. Eu pelo menos, quando não sei, pergunto. Não sou obrigada a ser a melhor. Não sei tudo.

- Qual a partida que jamais sairá da sua memória? (Presenciando no estádio ou fora dele). 

Coritiba x Santa Cruz em 2007. O ano de 2007 foi especial para mim. O Coxa passou por situações difíceis em 2005 e 2006. Lembro do jogo Coxa x Galo em 2006, quando o time precisava apenas vencer para subir, e perdemos de virada por 3x2, em casa, Couto lotado, e o Galo já campeão dessa edição. Resultado: passei mal dentro do estádio, a ponto de ser carregada até o carro pelo meu pai, hauahuah. 

Em 2007 a grande virada chegou, e o ano foi abençoado com os jogos inesquecíveis que aconteceram. Exemplo: duelo contra o Ipatinga, quando batemos 4 x o pênalti, aos 47' do 2º tempo, para vencermos por 1 x 0. Se não tivéssemos vencido, não seríamos os campeões no jogo contra o Santa Cruz. Jogo esse de matar o torcedor do coração. Ouça: 

(Anderson Lima e a paciência para repetir a cobrança. Quatro vezes? Foi de matar o torcedor).

Hoje, quando o Coxa está passando por um momento difícil, é isso que eu ouço, e já não tem como conter as lágrimas, porque você revive aquela data. Gol no último segundo, na última respiração, COXA CAMPEÃO DO BRASIL, e subimos ao nosso lugar por direito. 2010, 2011 e 2012 foram especiais: as duas finais na Copa do Brasil serão sempre lembradas. Mas foi mesmo em 2007 que descarregamos nosso sofrimento, e só quem é apaixonado pelo seu time sabe o que eu estou falando. Do choro pela perda do título no qual merecíamos, no último suspiro, com o gol do Henrique Dias. O choro se tornou alegria... de não acreditar que o futebol é tão surpreendente, e o nosso Coritiba é ALMA GUERREIRA.

- Como você vê o Coritiba para a disputa do Campeonato Brasileiro? Vai brigar pelo quê? 

Com a volta do Alex, o time tem um diferencial que não tivemos nas duas finais da Copa do Brasil: UM CRAQUE. Ele é craque, é torcedor do Coritiba, é motivador. Nós vamos ao Couto (estádio) e agradecemos pelo fato de vê-lo em campo com nosso manto. O Brasileirão é difícil, sabemos das dificuldades que os clubes de fora do 'eixo' enfrentam. Mas o nosso clube sempre foi guerreiro e unido. Com Alex, podemos brigar por uma libertadores, pois o título eu acho improvável. Eu sinto que esse ano voltaremos a encantar o Brasil. Aguarde!

- Futebol europeu: você torce/simpatiza por dois clubes da alemanha: Borussia Dortmund e Schalke 04. Quando isso tomou conta de você? E como é torcer para dois grandes rivais? 

Eu agradeço pelo fato de ser Brasileira e não Alemã, pois assim eu torço pelos dois clubes. O Schalke eu acompanho desde 2005, quando o Rafinha, cria do meu time, foi jogar na Alemanha. Até hoje não fui à Gelsenkirchen, mas um dia irei. A torcida do Schalke é fantástica. O Rafinha saiu de lá e mesmo assim o  acompanho até hoje. Adoro! 

O Borussia eu comecei a acompanhar agora. Então, eu simpatizo com os amarelos, e o grande clássico do Vale do Ruhr me encanta. Eu adoro a Bundesliga e tento acompanhar todos, em especial Schalke e Borussia. Mas só de pensar que o grande Dortmund está se desmanchando, me dá uma dor no coração. Futebol é isso.


- Quem é o melhor jogador do mundo? Quais as suas maiores qualidades?

Messi! E a maior qualidade desse craque é a HUMILDADE. Isso que o levou ao topo. Seu modo de jogar é excepcional. Messi é único. Dribles de entortar o caldo, gols de se rever mil vezes, ele é confiante e sabe que faz toda diferença. E mesmo assim, é humilde. É imensurável, e espero um dia ter a honra de vê-lo jogar ao vivo e em cores.


- Eliminatórias rolando e muitas favoritas perto de vir ao Brasil. Quais seleções você apontaria como favoritas ao título mundial? 

Na América do Sul a seleção argentina terá o diferencial: Messi. Brasil, como sede, deverá por obrigação buscar o título. Mas a seleção que está encantando a todos, e vemos que pode levar o caneco, é a seleção alemã.

- A copa do mundo está chegando. Alguns elefantes sendo construídos e a elitização em nossa cara. O que você pensa a respeito da elitização nos estádios? 

Já passou a época em que futebol era para todos. Hoje, se você ama seu clube, por exemplo, precisa e tem por necessidade ser sócio para ter maiores chances de acompanhá-lo de perto. Caso contrário, não conseguirá ir aos jogos devido ao alto custo. A Copa será para os ricos, mas quem está sofrendo com a realização dela somos nós, torcedores simples. Nem todos terão condições de ir aos estádios. Ou vai a um jogo, ou trabalha o resto da vida para pagar o ingresso. E aí dizem que futebol é o esporte de todos. Levantei essa questão  na semana passada, em sala de aula. Os alunos colocaram os seus argumentos na mesa e ninguém teve uma boa visão referente à Copa no Brasil, pois sabemos que nossa classe social sairá perdendo em todos os quesitos. Futebol que é bom, não poderemos ver, ficaremos na TV como se a copa fosse no outro lado do mundo, mas está ao nosso lado.

- Qual a importância dos esportes para o âmbito social em nosso país? 

Esporte é vida. As organizações esportivas pelo Brasil tiram muitas pessoas das ruas, dos caminhos das drogas e da violência. O futebol é um exemplo, mas algumas coisas mudaram. Exemplo disso, é que antes havia campinho de areia aberto por aí, e a “piazada” jogava e não tinham tempo para pensar em coisas ruins. Hoje, infelizmente, se quiserem jogar precisam pagar horário em quadras esportivas. Por isso, é importante as ações esportivas. Principalmente as realizadas pelas prefeituras.

- Quais os favoritos ao título do Campeonato Brasileiro? Por quê? 

Não vou apontar um favorito. Mas um dos clubes bem montadinho no Brasil e que dá gosto em ver jogar é o Galo. O Atlético enfrentou o Coxa aqui (Curtiba) e atuou com o time reserva. Mostraram muita qualidade. Os mineiros possuem um bom time principal e tem banco. Algo raro de acontecer, pois o mercado da bola no Brasil é fraco, os jogadores estão todos na Europa e é difícil negociar a volta de muitos. O BR é bem disputado. Não havendo casos de “roubos” no apito, e má fé contra alguns clubes, esse ano promete. Não tem como apontar um favorito.

- O nível do futebol europeu é tão superior ao do brasileiro? O que eles têm e nós não temos? 

Organização. Os campeonatos nacionais são bem organizados e há punição na Europa. Aqui os presidentes dos clubes deitam e rolam, e infelizmente o “eixo” é forte. A própria mídia divide o futebol brasileiro, esquecendo que o esporte é praticado em todo o país, e que temos boas equipes, bons estaduais espalhados pelo nosso país.

- Qual o seu maior sonho? (Dentro do futebol e no jornalismo)
Ser repórter esportiva, valorizar TODOS os clubes do Brasil, do norte ao sul desse. É o país da bola. Meu sonho é viajar por todo o território nacional, conhecer todos os estádios, entrevistar grandes jogadores e treinadores, e fazer a diferença no jornalismo. Eu não quero ser famosa. Mas sim, fazer o que amo.

- Taticamente falando, qual equipe (mundo) mais te agrada e faz você não tirar os olhos da telinha? Explique as razões. 

Barcelona. Jogam uma bola federal. O Barça encanta qualquer apaixonado por futebol (tirando os rivais). Quando estão jogando, fico grudada na tela e não perco um lance. Mas esse ano outro clube me agradou: Borussia Dortmund. Não só a torcida me deixou apaixonada, os jogadores também. Lewangol, Reus, Gotze, Sahin, Hummels, entre outros. Você não tira os olhos da telinha, rs. 

- Jaqueline, desde já agradeço a sua disponibilidade. Qual o recado que você daria para as meninas que ainda sentem receio em expor as suas colocações sobre futebol? 

Se você ama, não sente receio. Está no sangue, na veia, não há medo. Você vai ao estádio, expõe sua opinião, grita, chora, faz o que der na telha. Futebol é de todos, é nosso.

Aproveito e digo: um dia eu vou curtir o futebol que o meu pai e o meu avô presenciaram. E não me refiro ao lado mercenário da modalidade. Muitas pessoas acham que futebol é apenas negócio. É um sentimento, é amor, é vida.

Obrigada pela oportunidade. E aos loucos por futebol, aquele abraço.


 




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bate-bola com a Barbara Albuquerque

Boa tarde, leitores!

O bate-bola de hoje é com a Barbara Albuquerque. Louca por futebol, fã do Messi e torcedora do ABC (RN) e Barcelona (ESP). 


 

Mais uma vez: o intuito desse bate-bola, bem como outros que fiz, é o de acabar com preconceitos e estereótipos no que concerne o espaço da mulher dentro do mundo esportivo. Espero que vocês gostem, curtam e, quem sabe, compartilhem a ideia com outras amigas. Indo além: com amigos que ainda insistem com essa baboseira de que lugar de mulher é na cozinha.



1) Como e quando surgiu a paixão pelo futebol?
 Primeiramente, gostaria de agradecer ao convite. Fui chamada para fazer as duas coisas que mais gosto: responder questionários e falar sobre futebol, rs. Bom, minha PAIXÃO meeeesmo surgiu em meados de 2007, eu diria. Meus colegas de classe eram bem "ligados" nisso, discutíamos diariamente. Então comecei a frequentar comunidades no finado Orkut buscando mais conhecimento no meio futebolístico, pude conhecer várias pessoas que me ensinaram muito do que sei e hoje sou assim, rs.

2) Qual a sua opinião sobre a construção da Arena das Dunas (Natal)? Mais um elefante branco?

Sinceramente? Creio que sim. Apesar de ser um estádio bem central, América e ABC, que são os dois maiores clubes do estado, não tem uma média de público satisfatória nas competições nacionais e menos ainda nas estaduais. Como ambos os times costumam disputar a 2ª divisão do campeonato brasileiro, serão poucas as "atrações" (times de maior expressão como Vasco, Flamengo, que possuem grande torcida no Nordeste e lotam qualquer estádio por aqui). O 'clássico rei' do RN, outro evento que supostamente atrairia uma boa quantidade de pessoas ao estádio, por consequência da violência, penso eu, não lota nem no estádio do ABC, que dirá em um com uma capacidade bem maior. Espero estar enganada, mas hoje vejo o Arena das Dunas na mesma situação que o Estádio Mané Garrincha e a Arena Pantanal.

3) Sabemos que as mulheres ainda tentam quebrar alguns preconceitos/estereótipos no futebol. Como você lida com a situação em seu dia a dia?

Com muito bom humor. Já ouvi muitas piadas, aguentei algumas e rebati outras tantas. Então, tendo experimentado todos os tipos de reações, posso garantir que não há nada mais frustrante que o desprezo... Ou levar na 'esportiva'. Se a intenção do indivíduo é frustrar a mulher e ela faz piada daquilo, quem acaba frustrado é ele.

4) Taticamente falando, os brasileiros ainda encontram-se muito atrás dos clubes europeus? Quais as razões?

Sem dúvidas. Assisti à final da Champions League e horas depois vi Santos x Flamengo. Custei a acreditar que se tratava do mesmo esporte. Os jogadores são mais disciplinados, a entidade máxima da Europa (UEFA) está anos-luz a frente da sul-americana (Conmebol), maior poder econômico por parte deles (consequentemente um maior investimento), maior organização nos campeonatos. Mas o nosso futebol está longe de ser ruim, uma vez que, o que mais tem na Europa é brasileiro. Basicamente, o deles é muito melhor administrado. Mas muito MESMO.

5) Descreva a maior emoção que você já sentiu com o o ABC.

O eterno 5x2 em cima do rival, na final do estadual de 2007. O 'Todo Poderoso Mecão' estava na série A e o ABC na humilde terceira divisão. Todos já davam como certa a vitória alvirrubra, mas não contavam com a astúcia de Wallyson Ricardo. Pelas circunstâncias, foi uma alegria maior até que a da conquista do campeonato brasileiro (Série C).

6) Qual a importância do esporte para o âmbito social em nosso país?

O esporte é uma importante arma social para melhor desenvolvimento da nação, visando aproximar os povos e fazer com que estes exercitem não somente o corpo, mas também a mente, para que possam obter resultados mais expressivos na sua vida, seja ela profissional, estudantil ou dedicada ao lazer.

7) Vejo em suas redes sociais muitas menções ao futebol. De forma lúcida, você discorre o assunto com naturalidade. Como você "enfrenta", em um debate, aquele cara que tem o argumento de que a mulher não entende nada do esporte?

Basicamente, como disse na 3ª pergunta: ignoro ou levo na esportiva. No começo eu ficava extremamente irritada com comentários do gênero: "vai lavar a louça", "vai varrer a casa". Mas hoje em dia, encaro tudo isso com muito bom humor. Quando o homem com quem estou debatendo tenta me intimidar com citações machistas, percebo que ganhei a discussão e acho graça. Inclusive hoje em dia sou frequentadora do Blog do Edu Testosterona!

8) Sua paixão pelo Barcelona (ESP) é bastante acentuada. Como isso começou?
Começou junto com o meu interesse por futebol. O Barcelona foi o primeiro time com quem simpatizei, por causa de Ronaldinho Gaúcho. Via todos os tipos de vídeos dele no YouTube e passei a assistir à alguns jogos. Não entendia muito bem as regras no principio, sequer sabia o que era um impedimento, mas parava pra vê-lo jogar.

9) Dos jogadores que você viu jogar, qual seria o time ideal do Barça?

Bom, pela minha pouca idade (18), o time não seria muito diferente do que é hoje.  Valdés; Alves, Piqué, Puyol, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Messi, Eto'o e Ronaldinho.

10) Neymar no Barça. Você gostou? Qual a posição ideal para ele? Quais os pontos positivos e negativos da contratação?

E muito! Neymar na esquerda, Messi centralizado e Pedro (por falta de opção) na direita. Pontos positivos: é um jogador muito bom no 'mano a mano' (e além de Messi e Iniesta nenhum outro jogador do Barça é tão notável nesse aspecto). Um dos grandes problemas da atual temporada foi a falta de um jogador diferenciado, que fosse capaz de chamar a responsabilidade para si quando Messi não estivesse, e eu penso que Neymar pode se tornar esse jogador, guardadas as devidas proporções. Mas não é só futebol. O garoto vende MUITO! É uma sensação na Europa, e a visibilidade que está trazendo para a marca Barcelona é imensa. Pontos negativos: aquelas coisas que estamos cansados de ler por aí: Neymar faz parte da escola Sérgio Busquets de artes cênicas e é individualista. Ambos os aspectos podem e serão corrigidos. Ele teve anos para escolher e optou por um time onde a coletividade é a marca principal, então, sabe que terá que se adaptar a esse estilo de jogo. Vontade e inteligência ele tem de sobra.

11) Qual a melhor seleção do mundo? Por quê?

Espanha. Talvez devesse dizer Alemanha, visto que o momento é deles, o futebol germânico está em ascensão, os times que formam a seleção espanhola foram eliminados da Champions League pelos que formam a seleção alemã. Mas essa seleção é considerada a 'revelação' desde 2006 e até agora, nada. Já a espanhola conquistou duas eurocopas seguidas e uma copa do mundo. O futebol não é tão bonito e arrasador como o alemão, mas vem sendo mais eficiente.

12) O que os clubes do RN podem fazer para alcançarem resultados mais impactantes no cenário nacional?

Sou suspeita para falar, uma vez que também torço para um time de outro continente, rs. Mas acho que o segredo é o povo valorizar (principalmente) o que é da terra. Devemos nos espelhar nos nossos amigos pernambucanos que, em sua grande maioria, torcem para times pernambucanos. A mídia local de lá oferece um espaço para os times do 'eixo', afinal, eles dão audiência em qualquer lugar do Brasil. Mas em primeiro, ou melhor, em primeiro, segundo e terceiro lugar estão Sport, Santa Cruz e Náutico (não necessariamente nessa ordem). Se seguíssemos esse exemplo, estaríamos fortalecendo os times da nossa terra. Basicamente: ao invés de comprar produtos oficiais de Vasco, Flamengo ou Corinthians, comprar de ABC ou América. Ao invés de assinar o PFC para ver jogos desses três times anteriormente citados, por exemplo, ir ao estádio ver ABC ou América. Essas coisas. Mudanças simples que podem fazer uma grande diferença.

13) Qual o melhor jogador que você viu/vê jogando bola?

Essa é fácil: Lionel Messi! rs

14) Qual a razão da perda de identidade do povo brasileiro com a seleção?

A perda de identidade dos jogadores para com a seleção levou a perda de identidade dos torcedores. Não há mais aquela 'entrega', o futebol jogado, se comparado ao de 2002, por exemplo, é apático. Os 'representantes' da nação estão mais interessados em tirar fotos fazendo careta na concentração e postar nas redes sociais do que em jogar bola. Eu diria que o Sr. Ricardo Teixeira e sua corja também têm uma boa parcela de culpa nisso tudo, mas não vou me aprofundar nessa questão. Basicamente: não existe mais compromisso. O que vale é o dinheiro.

15) O que o Barcelona precisa fazer para voltar a ser o melhor time do mundo? Você manteria o 4-3-3?

Traria um bom zagueiro e um bom goleiro, mais precisamente, ter Stegen (Borussia Mönchengladbach) e Marquinhos (Roma). Meu time titular seria: ter Stegen; Montoya, Piqué, Marquinhos, Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Neymar, Messi e Alexis, já que Deulofeu deve ser emprestado ao Dortmund. É importante também que haja uma maior rotação na equipe. O elenco chegou destroçado na semifinal da UCL, e isso poderia ter sido evitado. Traria também um bom 9, que seria reserva e entraria em um jogo ou outro apenas para não sobrecarregar o Messi. Com esse time chegando 100% no mata-mata da Champions League, confio que a 5ª orelhuda viria. Sim, manteria o 4-3-3, mas testaria algum outro esquema uma vez perdida, como elemento surpresa. Um 4-4-2 com Alves e Alba + Busquets, Xavi, Iniesta e Cesc com Messi e Neymar lá na frente, por exemplo. Muito me agradaria ver.

16) Quais clubes você aponta como favoritos ao título do brasileirão 2013? Por quê?

Atlético Mineiro, Corinthians e Fluminense são os principais candidatos. Atlético joga o melhor futebol do Brasil. Corinthians e Fluminense têm um grupo muito forte e bastante entrosado. O futebol dos dois últimos não é tão bonito de se ver, mas é eficiente.

17) As mulheres estão tendo cada vez mais espaço no jornalismo esportivo. Qual a apresentadora/comentarista que mais te agrada?

Há uma repórter de Belo Horizonte que eu admiro, mas infelizmente não lembro o seu nome agora. rs

18) Discorra sobre o jogo mais fascinante que você já assistiu e te deixou emocionada.

Podem ser 2? Fico realmente em cima do muro, rs. 1°: 'O Milagre de Istambul' (2005), e 2°, A final de Paris, em 2006. Bom, ainda que eu não fosse uma simpatizante do Liverpool, teria me emocionado da mesma maneira. O Milan abriu 3x0 no 1° tempo e na etpa final o Liverpool empatou com Gerrard, Xabi Alonso e outro jogador que agora não lembro o nome. Nos pênaltis, Sheva e Pirlo perderam pro Milan. E o Liverpool sagrou-se campeão. Em 2006 foi mais especial por causa do Barça, rs. Final de Champions League, de virada. Quando Belletti marcou aquele gol, por debaixo das pernas do goleiro do Arsenal, eu comecei a chorar feito uma criança. E na comemoração então, mais ainda. Belletti pareceu não acreditar, todos pularam em cima dele. Foi incrível! Até hoje, quando vejo vídeo desse gol, tenho a mesma reação. 

19) Dentre os grande atletas do Barcelona, qual aquele que deu um "up" ao clube quando o mesmo passava por momentos difíceis? Você lembra a ocasião?

Ronaldinho, sem dúvidas. Foi o divisor de águas do Barcelona. E sim, eu lembro do momento. Como disse anteriormente, comecei a acompanhar futebol exatamente por causa dele, rs.


20) Bárbara, desde já eu agradeço a sua colaboração. O que você tem a dizer para as meninas que ainda ficam com receio de falar sobre futebol em detrimento de ações machistas?



Diria: façam como eu! Comentários machistas já me irritaram muito, mas nunca me intimidaram. Só entro numa discussão se estiver convicta do que estou dizendo, mas quando entro, defendo o meu ponto de vista até as últimas, e é isso que vocês devem fazer. Comentários com a intenção de diminuir devem ser ignorados ou encarados com muito bom humor. Se apelam é porque incomodamos, rs! Eu que agradeço pela oportunidade!


Obrigado, pessoal!